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DEI
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É com sangue que escrevo estas
palavras, feridas de tanta
solidão sofrida, a espera,
tornou-se num silêncio cerrado que me ensurdece
até à loucura, o grito desejado
não sai, os meus lábios
amordaçados desesperam por os
teus. Liberdade! O cinismo da
palavra fere-me ainda mais
quando quero
dize-la, valerá a pena o
sangue com escrevo estas
palavras? Cada vez que te
quero matar em mim a ilusão de ti,
vai-me consumindo, esgotando
lentamente. Afinal, valerá a pena o
sangue com que escrevo
estas palavras, trôpegas e
patéticas, que não passam
disso mesmo, palavras, escritas com o meu
sangue, que é o pouco que
tenho de mim para dar, como sempre fiz, mesmo sem me
pedires nada, dei, apenas isso,
mais nada, dei. |
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