DEI- CAVALEIRO NEGRO

DEI

 

É com sangue

que escrevo estas palavras,

feridas de tanta solidão sofrida,

a espera, tornou-se num silêncio cerrado

que me ensurdece até à loucura,

o grito desejado não sai,

os meus lábios amordaçados

desesperam por os teus.

Liberdade!

O cinismo da palavra

fere-me ainda mais

quando quero dize-la,

valerá a pena o sangue

com escrevo estas palavras?

Cada vez que te quero matar em mim

a ilusão de ti, vai-me consumindo,

esgotando lentamente.

Afinal,

valerá a pena o sangue

com que escrevo estas palavras,

trôpegas e patéticas,

que não passam disso mesmo, palavras,

escritas com o meu sangue,

que é o pouco que tenho de mim para dar,

como sempre fiz,

mesmo sem me pedires nada,

dei, apenas isso, mais nada, dei.

Cavaleiro Negro (Vitor Miguel Oliveira)

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