JÁ ERA TARDE - CAVALEIRO NEGRO

JÁ ERA TARDE

 

Já era tarde

quando te encontrei

mas eu mesmo assim

insisti ficar,

enquanto os teus lábios

em silêncio me diziam

para que partisse,

já era tarde

para as tuas mãos,

tão vazias e sós,

sem um corpo para acariciar e sentir,

já era tarde

para o teu coração,

desfeito em mil pedaços,

que eu em desespero

tentei apanhar do chão,

onde tinhas escrito

a palavra solidão

vezes sem conta,

até se esgotar o sangue

que escorria do teu corpo inerte e nu,

já era tarde

quando te quis abraçar

e encontrei apenas mar,

já era tarde

quando quis sonhar

e já não sabia ,

já era tarde

para o amor voltar

a correr nas tuas veias,

incendiar a tua alma dormente

e despertar-te os sentidos,

já era tarde

para fazer o tempo andar para trás,

já era tarde

para nós, mas eu, fingi que não sabia,

e continuei a fazer de conta

que ainda estavas aí,

que ainda escutavas e lias as minhas palavras,

a que eu chamei de “poesia”.

Cavaleiro Negro (Vitor Miguel Oliveira)

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