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RÉU
Venho de longas andanças,
corpo cansado... vestido de sonhos,
desfeitos sonhos... rotas esperanças...
Venho de becos aflitos, tristonhos,
de rude caminhada...
Ouço apenas o eco dos meus passos,
na triste e escura calçada
de mim mesmo...
Alameda da Saudade, Beco da Solidão,
Rua da Esperança, Praça Coração...
Cidade dos Aflitos, dos fracos, vencidos,
dos ganhadores, dos vitoriosos...
Guerra insana por mísero troféu...
pedaço de carne... aos ociosos...
nada importa... apenas viver...
Viver sem existir? sem nada ser?...
Seguir inocente condenado réu?
Como tenho cansado o corpo, a alma,
nesse labirinto vivo, miserável calabouço!...
Como tenho reprimido o pranto,
sufocado o desgosto, abafado o grito,
(agora fraco gemido...)
que tão somente... apenas eu... ouço!...