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POR QUÊ?
Se, às vezes, fico sentido com tua lembrança,
condeno-me por haver crescido,
devia permanecer criança...
Por quê, se tudo muda, quando crescemos,
vivemos?
Por quê, se tudo passa, na vida,
sofremos e ao amor damos guarida?
Por quê, se tão bons momentos tivemos,
um dia,
choramos, perdemos o amor que se queria?
Por quê, se a vida sorria,
não aprendemos a chorar então?...
Seria menos difícil a tristeza,
seria menos triste a solidão...
Por quê, Deus meu, se somos tudo um dia,
nada somos dia depois?
Por quê, respondei-me, suplico,
se antes ninguém sofria,
hoje sofremos a dois?
Ah, fosse eu sempre criança!
condeno-me por ter crescido!
agora não choraria essa lembrança...