PECADO

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PECADO?

 Quiseste mostrar-te sempre o cavalheiro distante, porém, educado.

Representaste, em princípio, "o homem paletó e gravata dos tribunais".

Pensaste representar o homem auto-suficiente, o homem "sabe-tudo".

Mostraste o lado amigo, mas escorregavas, quando a pergunta te era defesa.

E lá no teu fundo, pude ver, nitidamente, algo denunciante.

Denunciaste que nada és do que quiseste demonstrar-me.

Tens indícios de PECADO no teu elegante olhar imparcial.

Jogas o PECADO num olhar por mim desejado.

Lanças-me teu olhar pecaminoso, quando em mim o fixas.

Fazes com que o meu do teu não se afaste.

Trouxeste-me lampejos de PECADO que me fizeram sonhar contigo duas noites.

Dois sonhos quando o mesmo ato de beijar sofregamente acontecia e se repetia por mútua vontade.

Fazes-me retornar à realidade, graças ao controle dominador possuído por mim.

És, com certeza, meu amigo da mesma forma como sou tua também amiga.

Reflito, enquanto saudosa da tua presença amiga e do cúmplice olhar recíproco:

O que é certo?

Luta e prazer, quando fazes tua vida como pensas que deve ser?

A doce ilusão de um PECADO satisfeito?

Não importa como responderes.

Poder-te-ia dizer, após anos de reflexão, que só uma coisa é certa...

E, ainda, perguntaria a ti sobre a preferência do arrependimento de não

ter cometido o PECADO ou tê-lo feito sem restar satisfeito...

Não é importante como e se me retrucares.

O que existe, uma amizade pura, sincera e já necessária, nunca perecerá.

Jamais prejudica ninguém uma grande amizade, apenas completa o que falta na pessoa amiga.

Não te envergonhes de ser feliz, ainda que, se desejares, cometas o tal PECADO.

Estarás sempre aprendendo a conhecer a beleza da vida.

ELISA BF -19/12/1999

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