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Quiseste mostrar-te sempre o cavalheiro distante, porém, educado. Representaste, em princípio, "o homem paletó e gravata dos tribunais". Pensaste representar o homem auto-suficiente, o homem "sabe-tudo". Mostraste o lado amigo, mas escorregavas, quando a pergunta te era defesa. E lá no teu fundo, pude ver, nitidamente, algo denunciante. Denunciaste que nada és do que quiseste demonstrar-me. Tens indícios de PECADO no teu elegante olhar imparcial. Jogas o PECADO num olhar por mim desejado. Lanças-me teu olhar pecaminoso, quando em mim o fixas. Fazes com que o meu do teu não se afaste. Trouxeste-me lampejos de PECADO que me fizeram sonhar contigo duas noites. Dois sonhos quando o mesmo ato de beijar sofregamente acontecia e se repetia por mútua vontade. Fazes-me retornar à realidade, graças ao controle dominador possuído por mim. És, com certeza, meu amigo da mesma forma como sou tua também amiga. Reflito, enquanto saudosa da tua presença amiga e do cúmplice olhar recíproco: O que é certo? Luta e prazer, quando fazes tua vida como pensas que deve ser? A doce ilusão de um PECADO satisfeito? Não importa como responderes. Poder-te-ia dizer, após anos de reflexão, que só uma coisa é certa... E, ainda, perguntaria a ti sobre a preferência do arrependimento de não ter cometido o PECADO ou tê-lo feito sem restar satisfeito... Não é importante como e se me retrucares. O que existe, uma amizade pura, sincera e já necessária, nunca perecerá. Jamais prejudica ninguém uma grande amizade, apenas completa o que falta na pessoa amiga. Não te envergonhes de ser feliz, ainda que, se desejares, cometas o tal PECADO. Estarás sempre aprendendo a conhecer a beleza da vida. ELISA BF -19/12/1999 |
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