| Quem
sou eu?
mais
um nome?
mais
um rosto?
mais
um qualquer?
Quem
sou eu?
o
cigarro esquecido?
a
água passada?
o
naipe descartado?
o
bilhete corrido?
Quem
sou eu?
a mesa
posta?
a cama
feita?
o
trago barato?
a
gorgeta?
Quem
sou eu?
o
consolo? o tolo?
o
terceiro de amoroso triângulo?
Respondo
por outro ângulo,
outro
ponto de vista: o meu!...
Primeiro:
sou aquele que pensou em ser teu,
despretencioso,
sem malícia, puro
de
sentimento, por inteiro seguro...
Segundo:
sem rótulo! sem preço!...
o
amigo, o amante, o companheiro,
não o
dono!...
Terceiro:
o consolo, sim!
o de
tuas penas, cansaços, frustações,
o
lenitivo de horas incertas,
teu
momento de abandono...
de
calma... a mão estendida!...
teu
porto-seguro, teu abrigo,
tua
guarida...
E
mais: se saísses de mim, um dia,
seria
como uma despedida,
um
aceno, um gesto, uma palavra,
sem
grosseria...
Sabes
por quê? então te digo:
não
sou o pedinte, nem o faminto
nem o
mendigo...
Sou
apenas eu: gente!
sujeito
a acertos, erros, enganos,
às
coisas da vida, do coração...
Por
tudo isso e mais, se me esqueço,
guardarei
na lembrança, bem dentro,
comigo,
o começo...
E, por
todo o resto,
ainda
que não hajas pedido,
te
conheço, humilde,
apesar
do descaso não-merecido,
o meu
perdão!...
(Carlos
Saad) |