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![]() Poema
derradeiro |
Lá
fora, chovem
agora as minhas lágrimas, aqui
dentro, há silêncio apesar
da babel de palavras que se dizem, sem
ritmo, sem ânimo, sorrisos
desvairados e sem pudor, silêncios
que ficam, na falha do tempo de
abrir e fechar a boca; a
solidão, é um grito, que ensurdece até à loucura, é
a vontade de não ser o desejo de querer ser tudo: -Eu, tu, ele, ela, o
mundo, os outros, mas não ser eu... Apenas
quero ser, a sombra que projecto no chão sou
a indiferença, que me dás, mesmo sem eu te a pedir, sou
aquele, que um dia, passou pela tua vida, não
deste por mim, mas eu, dei por ti, mesmo
assim, dei-me vezes sem conta, sem que pedisses nada, dei-me, peito descoberto de coragem, no
sangue, o gelo, do medo de não te achar, que
eu um dia ousei desejar... (Almeida Bello) - Lisboa, 24 de Novembro de 1995 |
"Almeida Bello" é o pseudónimo de Vitor Miguel Oliveira, 32 anos, de nacionalidade portuguesa, que na sua modéstia diz "sempre que posso, pego numa caneta e tento escrever poesia, porque não sei se sou poeta, acho-me mais um construtor de frases e textos, poeta... acho que não! Gostaria de ser!"
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